Corte
carboidrato, coma carboidrato, coma gordura, corte gordura...
Afinal, qual é a melhor proposta para emagrecer com saúde? Foi
exatamente para encontrar a resposta que uma equipe de
cientistas australianos passou os últimos dez anos realizando
uma superpesquisa. A conclusão: na luta contra a balança, a
melhor amiga é a proteína magra. Publicada na forma de livro —
The CSIRO Total Well-Being Diet (A dieta do bem-estar total) na
Austrália, a dieta logo alcançou o topo da lista dos mais
vendidos. Mas qual é a novidade, se cardápios fortes em proteína
são a base da dieta do dr. Atkins e de South Beach?
A Dieta Australiana, como
ficou conhecida em todo o mundo, foi criada pela dra. Manny
Noakes e pelo dr. Peter Clifton, ambos da Commonwealth
Scientific and Industrial Research Organization (CSIRO). A
organização, criada em 1928, é uma das principais agências de
produção científica da Austrália e mantém um departamento
específico para pesquisas sobre saúde e nutrição.
Anos de pesquisas e testes
cientificamente controlados resultaram em um programa
equilibrado, nutricionalmente balanceado, em que predominam
alimentos ricos em proteínas e pobres em gorduras. Os
experimentos comprovaram que essa combinação é eficiente na
perda de peso, especialmente naquelas partes do corpo em que o
acúmulo de gordura é desastroso para a silhueta e maléfico para
a saúde.
Fizemos vários testes
clínicos, enquanto os métodos anteriores são baseados em
conceitos teóricos”, defende Manny Noakes, chefe da equipe que
criou esse jeito de emagrecer. “Além disso, as pesquisas
provaram que essa dieta faz bem à saúde”. completa.
Um dos estudos feitos pelos criadores da dieta (cientistas da
Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Comunidade
das Nações — CSIRO) reuniu 120 mulheres acima do peso, divididas
em dois grupos. O primeiro passou 12 semanas fazendo dieta à
base de proteína magra. O segundo grupo, o mesmo período
seguindo uma dieta rica em carboidrato. Os dois cardápios tinham
a mesma quantidade de calorias (1 340 por dia) e a mesma
quantidade de gordura, mas os resultados foram bem diferentes.
As mulheres do grupo das
proteínas perderam, em média, 7,6 quilos, e as do grupo dos
carboidratos 6,9 quilos. A diferença parece pequena? Pois veja
só: no primeiro grupo, 80% do peso perdido era composto de massa
gorda (as gordurinhas) e no outro apenas 44%. Ou seja, quem fez
a dieta do carboidrato perdeu mais músculos (a massa magra) que
gordura. Na hora de olhar para o próprio umbigo, as mulheres do
grupo das proteínas também saíram ganhando: perderam o dobro de
pneuzinhos em comparação ao outro time. E foi com a nova
barriguinha que a saúde das mulheres do primeiro grupo melhorou.
Isso porque quem tem muita gordura na região da cintura tende a
ter alto nível de triglicérides, um tipo de gordura inimiga do
coração que se acumula no sangue. As mulheres do grupo das
proteínas diminuíram o nível de triglicérides e, com isso,
abaixaram o risco (socorro!) de sofrer um ataque cardíaco ou um
derrame cerebral.
Os pesquisadores descobriram
também que a dieta rica em proteínas é mais fácil de ser
seguida: apenas cinco garotas desse grupo abandonaram o regime
durante a pesquisa, enquanto no grupo dos carboidratos foram 16.
Manny Noakes diz que isso ocorre porque a proteína, com digestão
mais lenta que o carboidrato, deixa você satisfeita por mais
tempo. Além disso, a médica acredita que a proteína tenha alguma
influência nos hormônios que controlam o apetite: “Embora o
efeito não seja tão forte quanto o de uma droga supressora do
apetite, ele é poderoso o suficiente para ajudar quem quer
perder peso a não atacar a geladeira”.
A obesidade é hoje uma das
maiores preocupações de saúde mundial, como fator importante
para o desenvolvimento de doenças como cardiopatias e diabetes
do tipo 2. Testes clínicos nos laboratórios australianos
concluíram que problemas como alterações na pressão sangüínea,
triglicérides, colesterol, entre outros, tiveram melhoras
substanciais com a aplicação da dieta e conseqüente perda de
peso.
O livro aborda os conceitos da
dieta, traz planos de cardápio para a alimentação diária e
saborosas receitas, que vão das tradicionais sopas e saladas,
passando pelas carnes e pratos principais, até as sobremesas e
drinques. Um último capítulo ensina como manter o novo patamar
de peso conquistado. Para a edição brasileira, alguns poucos
ingredientes culinários foram substituídos, com a supervisão de
nutricionista, pela dificuldade ou impossibilidade de encontrar
aqui os prescritos na edição original.
A seriedade da pesquisa
científica, aliada a um tratamento agradável e a sugestões
práticas para uma alimentação mais saudável, equilibrada, e que
realmente diminui o peso corporal, fazem desse livro uma
novidade que vai auxiliar os leitores a encarar de outra maneira
os regimes alimentares, com a chancela de um dos mais
respeitados institutos especializados em nutrição do mundo.
Na opinião da nutricionista
Toni Speer, do Conselho Britânico de Pesquisa Médica, essa é uma
dieta mais saudável que as similares. “É mais baixa em gordura
que a dieta de Atkins e mais completa que a de South Beach,
porque incentiva a prática de exercícios (30 minutos de
caminhada, três vezes por semana, no mínimo). E, ao contrário
das duas, não deixa você comer o quanto quiser de proteína.” A
dose indicada é de 300 gramas de carne magra por dia – 100
gramas (de peixe, frango ou carne vermelha) no almoço e 200
gramas (sempre de carne vermelha) no jantar, de segunda a
segunda. A nutricionista Vanderlí Marchiori, de São Paulo, não
concorda com tanta carne bovina. Ela sugere reduzir o filé para
duas vezes por semana. E, nos outros dias, comer frango e peixe,
muito peixe. Para completar o cardápio da dieta, vá de
carboidratos ricos em fibras (pães, massas e grãos integrais,
hortaliças e frutas) e gorduras boas (azeite de oliva).